Realizar esta pesquisa e a produção destas vivências, concretizando todas as etapas que envolvem esta construção, requer um mergulho, implica grandes mudanças, tirar coisas do lugar, jogar fora, agregar, limpar a sujeira acumulada e rever conceitos. Este é um processo necessário para amadurecer e requer empenho, tempo, disponibilidade e muita sinceridade.

No processo de construção e desenvolvimento do trabalho, turbulências, emoções e dificuldades foram presenças fortes e determinantes, levando à mudanças em seus objetivos, reorganizando e trazendo novas perspectivas de produção. Uma estrutura flexível, informe, em construção no espaço e tempo de vida.

A publicação não encerra o trabalho, que acontece no fluxo das séries anteriores, mas, certamente, é um importante marco na produção, trazendo um alargamento das fronteiras Estas linhas de fuga procuram conectar aqueles que acessarem e consultarem os trabalhos, permitindo novas ressonâncias e outras tantas implicações.

Produzir com o corpo, e através dele, faz parte de um longo processo de reflexão e produção. A fotografia, as performances, as marcas dos corpos registrados em suportes diversos e as produções coletivas me levaram por novos caminhos e trouxeram força ao trabalho. Sair do centro e buscar nas beiradas e bordas o contato com o elemento estranho abrem outros canais de percepção. Alguns elementos se agregaram e outros foram retomados. A fotografia continua presente, mas a performance e o desenho acrescentam e alargam as fronteiras.

Os registros produzidos, os textos e as outras mídias, organizados e publicados neste livro, no site e na exposição, tentam construir uma leitura, a edição e a formatação da artista.

Encerrar uma pesquisa significa, em parte, um afastamento, mas é, na realidade, uma transmutação. Chegar num platô significa abrir para outros fluxos e novas conexões. Mapas em movimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fernanda magalhães